sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Morte de veterano em meia maratona alerta para o perigo da desidratação

O fato foi triste. A parada cardíaca não recuperada de um veterano corredor de 60 anos  a 500 metros da chegada da meia maratona em Natal, no Rio Grande do Norte, recentemente. O incidente configurou a chamada morte súbita relacionada à atividade esportiva. De acordo com a médica e o resultado da necropsia foi constatado que não houve um problema cardíaco e que ele fez, dias antes, a avaliação cardiológica recomendada.

O que pode ter havido? Segundo o "Novo Jornal", os laudos iniciais definiram que a morte foi por desidratação, com duas causas prováveis, uma diarreia pré-prova, possivelmente de ansiedade e o calor intenso daquela manhã na capital potiguar.

O jornal cita que foram registradas falhas de reposição de água nos quilômetros finais da prova. O pior que constatei está na foto divulgada nas redes sociais. Mostra um atendimento totalmente fora de padrão, feito apenas por colegas de corrida, que carregavam a vítima pelos braços, totalmente desfalecida. Esse atendimento exige que se façam as manobras de ressuscitação cardiopulmonar com massagem cardíaca.

Além disso, também é importante a reposição imediata e rápida de soro e eletrólitos (sódio, potássio) e até de cálcio, esfriamento do corpo com água e gelo em piscinas, ingestão ou infusão de líquidos gelados, pois a temperatura corporal nestes casos atinge 42ºC graus, o que torna inviável a sobrevida.

A constatação é que o médico e o treinador de um esportista, seja corredor de rua ou esportista em geral, além de realizarem as avaliações médicas e físicas, devem alertar de modo insistente sobre o surgimento de quaisquer anormalidades na saúde (mesmo uma simples gripe), climas extremos agressivos de calor ou de frio (até os indivíduos acostumados). A prevenção correta pode chegar até ao extremo da não participação da prova esportiva, seja no solo ou na água, se as temperaturas estiverem acima de 32ºC ou abaixo de 15ºC. 

Um estudo feito por cardiologistas e publicado em julho de 2014 no site “Cardiologytoday” alerta sobre o fato de que existe uma grande preocupação, naturalmente, por possíveis problemas cardíacos que ocorrem em veteranos nas longas corridas de rua. Porém, na verdade, existem maiores quantidades de complicações e mortes por hipertermia, que desencadeia grave e fatal desidratação.

Para lembrar, há poucos anos morreu o americano Francis Crippen, campeão de natação em mar aberto dos Jogos Panamericanos, por hipertermia e desidratação no Mar Índico (temperatura de 35ºC), sem falarmos dos inúmeros casos de hipotermia (frio) que já atingiu fatalmente vários atletas pelo mundo afora.

A obrigação de evitar risco é do esportista/atleta, que deve conhecer o clima das provas e estar em perfeito estado de saúde. Evidente que as recomendações sempre devem vir do seu médico especialista e como se espera também do seu treinador. Só assim evitaremos as mortes e outros eventos graves. 


Matéria publicada pelo site Eu Atleta 

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