domingo, 25 de maio de 2014

ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO DE CORRIDA

     Uma adaptação básica que ocorre em nosso corpo, induzida pelo treinamento, é o aumento da resistência nas fibras dos músculos. O aumento significativo ocorre na capacidade para a produção de energia aeróbia e, consequentemente, os carboidratos e gorduras são mais facilmente metabolizados. O exercício aumenta a oxigenação das fibras musculares, portanto, quando estas estão em atividade, o fluxo sanguíneo aumenta.

     O músculo, quando adaptado ao treinamento aeróbio, utiliza melhor a reserva energética. Um aumento na captação de oxigênio do sangue e alterações no metabolismo energético contribuem para a melhora do desempenho nos treinamentos. As adaptações musculares são induzidas especificamente nos grupos musculares exercitados e são mantidas quando a atividade é contínua. Porém, quando tal fato não ocorre, 
ela é desativada. Tanto a intensidade, como a duração, são fatores determinantes nas adaptações musculares.
Por outro lado, a adaptação do músculo ao exercício é um fator importante na melhoria do desempenho em esportes competitivos. Essas adaptações são salutares também para grupos populacionais que fazem atividade física sem o intuito de competir.

     Pessoas treinadas X não treinadas 
     De fato, quando comparamos com indivíduos não treinados, os sinais das fibras musculares treinadas que podem acelerar o metabolismo durante o exercício estão atenuados, portanto, reduzindo a utilização de carboidratos e provavelmente contribuindo para uma economia de glicogênio muscular que é observado em pessoas treinadas. Essas adaptações metabólicas do músculo favorecem o desempenho de indivíduos treinados para provas de resistência.

     Sabe-se que os músculos são estimulados a se adaptarem ao programa de treinamento, enquanto os não requisitados não se adaptam. Além disso, para um determinado programa, o treinamento deve ser executado por um tempo suficiente, que pode ser de dias ou mesmo semanas, até que as adaptações bioquímicas musculares ocorram.

     Nem toda a melhoria que ocorre no desempenho devido ao treinamento, deve ser atribuída às adaptações bioquímicas em longo prazo. Por exemplo, mesmo alguns dias após o início do programa de treinamento, pode-se evidenciar uma melhoria no desempenho muscular e no metabolismo. Isso pode ocorrer talvez devido ao fato deste tipo de treinamento causar, inicialmente, uma modificação no controle neuromuscular e/ou cardiovascular, que melhora a utilização das fibras musculares, metabolismo e distribuição do fluxo sanguíneo.

     Este é um dos exemplos da complexidade das mudanças e da variedade na duração do treinamento que é necessário para que uma determinada adaptação possa ocorrer na fase de transição de uma condição de relativa inatividade, a um estágio de condicionamento físico ótimo.

     Enquanto as adaptações para o treinamento de resistência são complexas e multifacetadas, as modificações que ocorrem nos músculos ativados são fundamentais e provavelmente garantem as alterações metabólicas e funcionais que dão o suporte para aumentar o desempenho em resistência observado após o treinamento. Torna-se de fundamental importância sempre procurar um especialista na área antes de iniciar os treinamentos.

Newton Nunes
Formado em Licenciatura em Educação Física pela Universidade de São Paulo (USP) em 1992. Mestrado na USP em 2000 e Doutorado na USP em 2005. Servidor Público pelo Hospital das Clínicas (HCFMUSP) desde Março de 1994. Professor de Educação Física pelo Instituto do Coração (InCor) desde Março de 1994. Aprovação em concurso público na USP leste em 2008 e 2009. Pesquisador pelo CNPq pela UFMA. Especialista em Reabilitação Cardiovascular pelo Instituto do Coração (InCor) (1993 a 1994).

Criador do site www.areadetreino.com.br

quarta-feira, 7 de maio de 2014

MUSCULAÇÃO ORIENTADA NÃO AFETA O CRESCIMENTO DOS JOVENS

Dentre os vários mitos relacionados à prática de atividade física, a relação entre exercícios e crescimento é um dos que ainda carece de maior esclarecimento. 

Em primeiro lugar, existe a preocupação de que algumas modalidades de exercícios possam prejudicar o crescimento em jovens durante a fase de desenvolvimento. Este é um assunto muito polemizado e invariavelmente aborda a questão da prática da musculação. O paradigma que existe é que jovens em fase de crescimento não podem fazer musculação. 

Esta questão é praticamente respondida com o raciocínio do bom senso. Certamente um jovem antes da puberdade, não tem ainda o aparelho locomotor amadurecido para fazer a musculação pesada visando hipertrofia. Não tem sequer a retaguarda hormonal para promover aumento expressivo da massa muscular.

O exercício pesado de musculação poderia causar danos nas zonas de crescimento ósseo e até prejudicar o processo de desenvolvimento. Vale lembrar que é muito raro isso acontecer, pois para tanto seria preciso um exagero muito grande que certamente iria provocar um mecanismo de defesa na forma de um quadro doloroso que cercearia o processo. Exercícios com pesos aplicados de forma orientada e racional não são proibidos para jovens e não vão prejudicar o crescimento.

Por outro lado existe também o mito de que exercícios físicos podem acelerar o crescimento ou mesmo promover um ganho estatural para jovens com baixa estatura. A verdade é que nenhum programa de exercícios vai alterar a estatura definida pela herança genética. Os fatores que podem alterar o crescimento geralmente estão relacionados a problemas hormonais ou carências nutricionais. Exercícios não promovem ganho nem perda de centímetros de estatura, porém promovem saúde para um crescimento normal.

Nestes casos, a intervenção do especialista no momento adequado pode corrigir o problema e restaurar o curso normal do crescimento. Não existe interferência que a prática de um programa de exercícios durante a fase de desenvolvimento possa promover para fazer um jovem ganhar centímetros de estatura. Todas as histórias relatadas de casos de programas que determinados atletas tenham feito para crescer com exercícios programados não passam de leituras mal interpretadas.


Matéria publicada pelo site Eu Atleta 

sábado, 3 de maio de 2014

TREINO EM CIRCUITO

O QUE É O TREINO EM CIRCUITO?


O treino em circuito é uma série de exercícios realizados um após o outro, com pouco ou nenhum descanso entre cada exercício. O treino em circuito normalmente envolve a combinação de 8 a 10 exercícios de musculação, anaeróbicos ou cardiovasculares.
Este programa de treino foi desenvolvido por RE Morgan e G.T. Anderson em 1953 na Universidade de Leeds, na Inglaterra. O formato de treino em circuito original de Morgan e Anderson incluía nove a 12 estações. Hoje em dia, este número varia de acordo com o esquema do circuito.
No treino em circuito, cada exercício é realizado para um número específico de repetições ou durante um determinado período de tempo antes de passar para o próximo exercício.
Considera-se que um circuito está completo quando todos os exercícios do programa de circuito foram realizados, sendo que num programa podem ser realizados vários circuitos.
Uma boa formação de circuito trabalha as diferentes seções do corpo individualmente. Um exemplo de um treino em circuito poderá ser:
  • Parte superior do corpo
  • Parte inferior do corpo
  • Corpo completo

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO TREINO EM CIRCUITO


O treino em circuito é uma excelente forma de aumentar a força e resistência física. Aqueles que participam em treinos em circuito normalmente treinam em grupos pequenos, o que permite aos principiantes serem guiados por parceiros de treino mais experientes.
Os circuitos são altamente adaptáveis para as necessidades ou desporto específico e podem ser completados com ou sem a necessidade de equipamentos caros.
Vários estudos realizados na Universidade de Baylor e no Instituto Cooper mostram que o treino em circuito é a forma mais rápida de melhorar o condicionamento cardiovascular e a resistência muscular. 
Os programas de treino em circuito são fáceis de estruturar, o que os torna ideias para os principiantes que pretendem realizar um programa de corpo completo mas não sabem como começar.
Embora o treino em circuito seja indicado para aqueles que procuram queimar gordura e melhorar a sua resistência cardiovascular, é menos favorecido por aqueles que pretendem ganhar força e massa muscular.
No entanto, se está interessado em aumentar a sua massa muscular, pode reduzir o número de repetições realizadas durante cada exercício e aumentar o seu peso ou nível de intensidade. Para além disso, em vez de passar 45 a 60 segundos num exercício em particular, tal como você faria num treino em circuito comum, pode simplesmente reduzir a quantidade de tempo para 15 a 30 segundos por exercício.

EXEMPLOS DE PROGRAMAS DE TREINO EM CIRCUITO


Quando se trata de estruturar um treino em circuito, as possibilidades são infinitas. Tal como acontece com todos os tipos de treino, o melhor circuito é aquele que lhe proporciona os resultados que procura e está formulado de acordo com as suas necessidades individuais.
Mais abaixo irei indicar 3 exemplos de treino em circuito, mais indicados para serem realizados nas salas de musculação.
Estes circuitos podem ser realizados por um determinado período de tempo ou realizando um determinando número de repetições.

CIRCUITO PARTE SUPERIOR DO CORPO


Este circuito pode ser realizado por tempo, ou completando o número desejado de repetições. Para realizar este circuito para tempo, complete 45 a 60 segundos, sem mais de 30 segundos de descanso entre cada exercício.

Para realizar este circuito usando um número fixo de repetições, complete 10 a 12 repetições em cada exercício, com 15 a 30 segundos de descanso entre exercícios. Realize três a quatro circuitos completos antes de terminar o treino.
treino circuito parte superior

CIRCUITO PARTE INFERIOR DO CORPO


Este circuito pode ser realizado por tempo, ou completando o número desejado de repetições. Para realizar este circuito para tempo, complete 45 a 60 segundos, sem mais de 30 segundos de descanso entre cada exercício.
Para realizar este circuito usando um número fixo de repetições, complete 10 a 12 repetições em cada exercício, com 15 a 30 segundos de descanso entre exercícios. Realize três a quatro circuitos completos antes de terminar o treino.

treino circuito parte inferior

CIRCUITO DE CORPO COMPLETO

Cada exercício deste circuito de corpo completo deverá ser realizado durante 45 a 60 segundos, sem mais de 30 segundos de descanso entre cada exercício. Realize dois a três circuitos completos antes de dar o treino por completo.Treino circuito corpo inteiro
Nota: Estes são apenas exemplos de treino em circuito, pode e deve-se formular treinos em circuito de acordo com as necessidades e particularidades de cada atleta.
O treino em circuito pode ser uma ferramenta poderosa e eficiente para perder peso / gordura, que também pode proporcionar aumentos da resistência, força e da massa muscular.
No entanto, para melhores resultados, não se esqueça de orientar a sua dieta para os seus objetivos. Ou seja, uma dieta com um número de calorias mais reduzido para perder peso / gordura e uma dieta com um número de calorias mais elevado para ganhar força e massa muscular.
Fernando Ribeiro | 09/01/2013
Referências:
Robert D Chetlin, Resistance Training – Contemporary Issues in Resistance Training: What Works?, Fit Society, American College of Sports Medicine,