segunda-feira, 14 de abril de 2014

Trabalho de fortalecimento ajuda no desenvolvimento do atleta

Estudos mostram que, além de melhorar resistência, musculação ainda ajuda a proteger as articulações e evitar lesões
Com a musculatura bem preparada, o corredor tem maior resistência, protege melhor as articulações e evita lesões. Foto: Shutterstok
Com a musculatura bem preparada,o corredor tem maior resistência, protege melhor as articulações e evita lesões. Mas, mesmo sabendo disso tudo, você ainda tem aquela preguiça de “puxar ferro”? Então separamos três estudos que podem lhe dar um incentivo extra e fazer você partir para a academia algumas vezes na semana.


Recorde pessoal
Uma pesquisa realizada em 2009, nos EUA , analisou 28 corredores cujo recorde pessoal
nos 5 km estava abaixo dos 30 minutos. Eles foram separados em dois grupos: o primeiro
realizou treinos de força quatro vezes na semana, aliados à corrida. Já o outro fez apenas
os treinamentos normais a que estava acostumado. O resultado após algumas semanas
foi que o primeiro grupo conseguiu diminuir o recorde na distância numa média de 47
segundos. Já o segundo melhorou apenas 17 segundos.
Menos cansaço...
Cientistas noruegueses analisaram, em 2008, um grupo de 17 corredores (nove homens
e oito mulheres) cuja média de tempo nos 5 km era de 18min40s. Nove eles realizaram,
durante oito semanas, treinos específicos para as pernas, além de continuarem com os
treinos de corrida. Como resultado, este grupo de teste teve uma melhora de 5% na
economia de energia durante a corrida, que era medida por exames ao longo da
pesquisa. Além disso, melhoraram em 21% a resistência em seu desempenho em
testes de esteiras, contra nenhuma melhora do outro grupo.
... e mais resistência!
Em 2005, uma pesquisa britânica contou com 48 corredores divididos em cinco grupos.
O primeiro realizou treinos de endurance; o segundo, exercícios de força; o terceiro e o
quarto combinaram endurance e força em ordens diferentes de execução, enquanto o
último serviu apenas para o controle. Os resultados mostraram que o grupo que combinou endurance acompanhado pelas atividades de força foi o que se deu melhor. Eles tiveram
melhora de 8,6% em uma corrida de 4 km, aumento de 10% no VO2 Máx e correram até a exaustão por um tempo 13% maior que os outros.
Reportagem publicada na edição 130, de fevereiro 2014, da Revista O2.

domingo, 6 de abril de 2014

PARECE, MAS NÃO É

Nem tudo é o que parece. 

Você já comeu durante muito tempo um alimento e depois descobriu que ele não era nada do que imaginava?  Para saber o que realmente estamos comprando, não tem jeito, é preciso ler com atenção as tabelas nutricionais e ficar atento às "armadilhas" que estimulam o consumo de produtos aparentemente saudáveis. 

A primeira dica é sempre desconfiar dos produtos industrializados enriquecidos com vitaminas, minerais, fibras, etc., pois quase sempre a quantidade do componente benéfico desses alimentos é muito pequena. Além disso, o produto pode até fornecer doses de vitaminas e sais minerais, mas, na maioria das vezes, apresenta altos índices de gordura, açúcar e sódio. Essa tendência de alimentos enriquecidos leva a pessoa a acreditar que irá suprir suas necessidades nutricionais apenas com a alimentação industrializada, o que não é verdade.

As informações nutricionais contidas nos rótulo normalmente indicam uma porção do alimento. Na porção vem primeiramente o valor calórico, depois os carboidratos (açúcares) as proteínas, gorduras totais e também a quantidade de gorduras saturadas e trans. E como saber o que é uma quantidade alta ou baixa no produto? 
Ao lado dos valores de nutrientes na tabela, existe o %VD, que é o valor diário (%) daquele nutriente que o produto fornece em relação a uma dieta de 2.000 Kcal, considerada padrão para a maioria das pessoas.  Assim, se o VD de gorduras totais do produto é de 5%, significa que o produto fornece 5% do requerimento de gorduras totais de um dia. 

Os produtos "diet", "light" e "zero" sempre causam confusão na hora da compra. Um mesmo produto pode ser light, diet e zero, já que uma categoria não exclui a outra. Produtos "zero gordura" também não são livres de calorias. O mais importante é verificar no rótulo qual ingrediente foi reduzido ou retirado do produto (açúcar, gordura e/ou carboidrato). Alimentos com menos açúcar e gordura, geralmente, têm mais sódio para garantir um sabor agradável ao alimento. 

Trocar refrigerante por suco parece um hábito saudável, mas isso vai depender do tipo de suco. Aqueles de caixinha podem ter tanto açúcar quanto um refrigerante, e ainda são cheios de conservantes. Fique atento à descrição dos ingredientes na tabela nutricional. Também observo muita gente tomando os chamados "ice teas" como se fossem água. Cuidado! A bebida pode ser ricas em açúcares e  quase sempre passam longe dos chás naturais. 

Os isotônicos também merecem atenção na hora da compra. O sabor e a composição rica em sais minerais fazem com que muita gente troque a água por um isotônico. O isotônico não é uma bomba calórica, mas é quase equivalente a uma bebida adoçada com açúcar, como um refrigerante. Pode ser útil para hidratar atletas que realizam atividade física intensa, mas, mesmo entre eles, existem indicações específicas. Para repor uma eventual perda de sal mineral ou sódio, por um exercício leve/moderado, ainda não inventaram nada melhor do que a ÁGUA. Assistir televisão tomando isotônico "só porque ele é gostoso" não é uma prática recomendada! 

Outras bebidas muito procuradas no calor são a água de coco e o caldo de cana. As duas são naturais e podem ser consumidas a vontade, certo? Errado! Apesar de nutritivas, são ricas em carboidratos (açúcar) e sódio. Sem a prática de exercícios físicos que justifiquem uma reposição energética, o mais indicado é beber com moderação.  

A fruta açaí tem um ótimo valor nutricional, rico em gorduras monoinsaturadas e antioxidantes. O problema é que a polpa de açaí, vendida em lanchonetes e supermercados, é "turbinada" com açúcar e xarope de guaraná. Como se não bastasse, o famoso "açaí na tigela" também leva banana, granola, mel e, às vezes, até leite condensado (!). Procure comer a polpa natural da fruta, sem adição de nenhum conservante, e sem exagero. Apesar de saudável, consumida em excesso pode engordar. 

O pão integral é feito com grãos que não passam por um processo de refinamento. Com as fibras preservadas, eles auxiliam na manutenção dos níveis de colesterol baixos e controlam os picos de insulina no sangue, aumentando a saciedade e facilitando o emagrecimento.  Só que a maioria dos pães e biscoitos, vendidos como integrais, não tem farinha integral na quantidade ideal. No rótulo deve estar escrito "farinha de trigo integral", e não "farinha de trigo enriquecida com ácido fólico". Verifique também o teor de fibras. Se a quantidade for de 0,2 a 0,5 gramas, desconfie. O pão integral de verdade tem de 3 a 5 gramas de fibras (a porção de 50 g).

O kani kama usado na preparação de sushis, saladas orientais e até como aperitivo, também engana muita gente. Em japonês, a palavra kani significa caranguejo, mas o que nós consumimos como "carne de caranguejo", na verdade, é merluza misturada com amido de trigo, clara de ovo, açúcar, extrato de algas, aromatizantes de caranguejo, glutamato monossódico e corantes. Portanto, não se iluda com as baixas calorias desse prensado. 

As barrinhas de cereais podem ser uma ótima opção para as refeições intermediárias porque são práticas e contêm fibras - nutrientes que aumentam a sensação de saciedade, dão energia e ajudam no funcionamento do intestino e na absorção de gorduras. Só que  muitas barrinhas vendidas como saudáveis têm açúcar, mel, xarope de milho e até sódio. Se você gosta de comer barrinhas de cereais, prefira as de frutas, que são menos gordurosas, e/ou com flocos de milho, aveia e castanhas. 

O que muitas vezes encontramos nas prateleiras de supermercados, vendido como chocolate, na verdade, é um doce com sabor de chocolate, não chocolate.  De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, só é chocolate o produto que tenha pelo menos 25% de cacau. O chocolate anunciado como benéfico à saúde deve ser do tipo amargo, com no mínimo 70% de cacau. Quanto menor a quantidade de cacau, maior a quantidade de açúcar e gordura. Mesmo um chocolate amargo com mais de 80% de cacau, deve ser consumido moderadamente pelo seu alto valor calórico. O problema é que a maioria das empresas não informa no rótulo a quantidade de cacau do produto e a fiscalização deixa muito a desejar.  

O peito de peru é um embutido metido a saudável. Apesar de ser visto como uma alternativa melhor do que o presunto, os dois têm a mesma quantidade de sódio e gordura. Para conservar o produto, as indústrias usam nitritos e nitratos, substâncias químicas nada saudáveis. Por isso, evite alimentos embutidos!

As sobremesas lácteas, tipo "petit suisse", parecem iogurte, mas a maioria tem bem menos cálcio do que outras versões menos docinhas e gostosas. Quer dizer, não vale por um bifinho e nem por um iogurtinho.  É claro que as crianças vão querer essas sobremesas, mas sempre que possível troque por um iogurte natural batido com a fruta que a criança mais gosta e adicione um pouco de açúcar mascavo. 

Na verdade, praticamente todos os alimentos industrializados possuem muitos aditivos, que embora não estejam na tabela de informação nutricional, são informados na lista de ingredientes do produto, sempre no final, nomeados de várias formas como antioxidantes, espessantes, estabilizantes, corantes, conservadores. São substâncias químicas que embora sejam adicionadas em quantidades bem pequenas no produto devem ser evitadas. Na dúvida, compre a menor quantidade possível de industrializados, evite produtos com altas taxas de sódio, valor energético, gorduras saturadas e trans e dê preferência sempre aos alimentos naturais, ricos em vitaminas, sais minerais, proteínas, fibras e gorduras insaturadas. 

Dr.Rodolfo Peres, nutricionista especialista em nutrição esportiva. 

sábado, 5 de abril de 2014

Musculação pode emagrecer SIM

Muitas pessoas preocupadas em emagrecer acreditam que a musculação atrapalha o processo de emagrecimento, pois embora haja uma perda da porcentagem de gordura, há também um aumento da massa magra (massa muscular), podendo não apresentar perda de peso na balança.
Saiba que emagrecer saudavelmente não significa necessariamente perder peso e sim aumentar a massa magra e diminuir a gordura, que é o que a musculação faz. Afinal, você prefere emagrecer e ficar com o corpo flácido e fraco ou emagrecer enrijecendo os músculos, ganhando assim um corpo mais bonito, forte, saudável e atraente?
Estudos asseguram e a prática comprova que a musculação acelera o metabolismo do seu praticante, favorecendo a queima de gorduras pelo organismo. Apesar de na musculação você não queimar gordura como fonte de energia, existe um processo chamado gliconeogênese, que é a utilização de gordura para repor as calorias perdidas durante o treino. Com o metabolismo acelerado, você continua queimando a gordura por muito tempo depois da atividade física.
Em relação ao gasto calórico, numa caminhada moderada de 1 hora você pode eliminar de 200 a 300 kcal. Já em 30 minutos intensos de musculação, pode-se gastar a mesma quantidade de kcal (dependendo de cada metabolismo).
Após o exercício aeróbio nosso organismo leva cerca de 1 hora para voltar ao normal, onde eliminamos entre 10 e 15 calorias. Quem faz musculação tem o metabolismo 12% mais acelerado no pós-treino e até 15 horas depois esta taxa continua 7% mais alta.
Vimos que a musculação aumenta a massa magra. Esta massa magra acelera o metabolismo de 17 a 25 vezes mais do que a massa de gordura. Assim sendo, quanto maior a massa muscular, mais acelerado será o seu metabolismo e o seu gasto calórico.
Para você ter uma ideia, 1 kg a mais de músculos (que não é muito fácil de conseguir) consome 15 kcal extras por dia. A longo prazo ( mais ou menos 10 meses) se você conseguir ganhar 2kg de músculos, poderá perder 8400 calorias. Você poderá eliminar de 2 kg a 3 kg de gordura em 12 semanas, fazendo musculação 3x por semana. É claro que a dieta alimentar também é necessária, tornando o resultado mais rápido.
Sem dúvida, o melhor que se tem a fazer é associar a dieta aos exercícios aeróbios, a musculação e aos alongamentos, num programa adequado as suas necessidades, biótipo e condicionamento físico, tornando indispensável uma avaliação e acompanhamento de profissionais preparados para lhe atender.
Comprovadamente a musculação é um excelente meio de reduzir o percentual de gordura, mas os benefícios não se resumem a isso apenas. O treinamento com pesos estimulará a síntese de proteínas musculares melhorando sua estética e as funções do aparelho locomotor. Além disso, os benefícios obtidos com o uso de exercícios resistidos serão mais duradouros devido à manutenção e até mesmo elevação do metabolismo de repouso, que parece ser relacionado com a massa muscular.
Enfim, tendo em vista os inúmeros benefícios proporcionados pelos exercícios com pesos é recomendável que se perca o medo da sala de musculação e descubra as maravilhas que lá o esperam.

Enviado pelo Luiz Nunes – Educador Físico

Entenda melhor como funciona a musculação em nosso corpo

O treinamento físico é um dos mais potentes estímulos na indução de alterações na musculatura, resultando em hipertrofia e aumento do potencial metabólico. Embora alterações relevantes não apareçam rapidamente, um período prolongado de atividade física causa alterações significativas nas características estruturais e funcionais dos músculos e de outros tecidos.

Como ocorre a hipertrofia?

O processo de hipertrofia ocorre quando a taxa de síntese de proteína muscular excede a taxa de degradação, acarretando um saldo positivo do balanço proteico muscular. O aumento deste saldo ocorre após uma única sessão de exercício de força.

É aceito que o crescimento muscular ocorra após semanas ou meses de treinamento de força, como consequência das elevações crônicas e transitórias na síntese proteica, que supera a degradação proteica, durante o período de recuperação entre as sessões consecutivas de treinamento físico. A duração do aumento no saldo de proteína é desconhecida, contudo, a síntese proteica muscular pode permanecer elevada por até 48 horas após o exercício.

Embora alterações relevantes não apareçam rapidamente, um período prolongado de atividade física causa alterações significativas nas características estruturais e funcionais dos músculos e de outros tecidos.

Ingestão para nutrir os músculos

A alimentação representa um forte estímulo para tornar o balanço proteico positivo. Um exercício de força aumenta a síntese proteica e, para completar, a ingestão de proteína pode diminuir sua degradação, principalmente no período de recuperação. Ou seja, a alimentação após o exercício físico torna o saldo positivo, por meio da ingestão de carboidratos e proteínas.

Visando maximizar o ganho de massa muscular, é necessário otimizar os fatores que promovem a síntese de proteínas e diminuem a degradação proteica. É importante ressaltar que muitos fatores podem influenciar nesta questão, como o tipo de exercício, intensidade, regularidade dos treinos e a duração do exercício, além do período de recuperação.

O atleta ou praticante de exercício de força deve sempre procurar um profissional da educação física e um nutricionista antes de iniciar um programa de treinamento físico para potencializar seus ganhos.

Por Prof. Dr. Newton Nunes.
Matéria pulbicada na www.webrun.com.brip